Estimado amigo Lucca Recebi ontem à tarde “A ARTE DA POESIA FALADA”
Ouvi com deleite e tornei a ouvir agora de manhã.
Apreciador que sou do seu “poetar” e do seu cantar lembrei bem das poesias, objeto do projeto de livro, de que preparei uma introdução.
Como disse, o meu apreciar, não teve fundamentos de especialista na arte poética, apenas de amador ocasional, sem talento para tão nobre arte.
Mantenho, porém, a minha apreciação feita na introdução do sonhado livro: Trouxe-me reminiscências da infância e da mocidade passadas no interior do Rio Grande do Sul...
Compositor, músico e cantor levou para a sua atividade poética a musicalidade de suas composições...
O universo em que situa sua poesia é tanto atemporal como universal.
Atemporal pois se estende desde as recordações (do passado) (às) esperanças para um melhor por vir. Os poemas...
de Claudino de Lucca têm todos os ingredientes que fazem a boa poesia: encantam, distraem e ensinam, pois mostram outras maneiras de ver a realidade.
Se o mundo normalmente é visto em preto e branco, o poeta nos faz vê-lo colorido. Diria que nos coloca numa quarta dimensão, que é o “ modo poético”.
Têm qualidades importantes como unidade e universalidade.
A unidade pois fala da vida do homem em sua plenitude e a universalidade por tratar dos sentimentos e aspirações de todos os homens.
Belas metáforas e conotações fazem o leitor se integrar no seu universo, com os devaneios que a boa poética nos introduz.
Sua poesia tem belas rimas, mas também tem uma desenvoltura propugnada por Mário Quintana que se disse “farto do lirismo comportado, do lirismo funcionário público”. Liga-se ao patrimônio da poesia nacional. Parodiou Gonçalves Dias, com muita inspiração, a “Canção do Exílio”. ...
Como gaúcho apaixonado canta sua terra... Muito mais poderia ser dito sobre a poesia de Claudino de Lucca.
Uma análise mais aprofundada necessitaria de alguém do ramo da poesia...
Fica com o leitor/ (ouvinte) o privilégio de devanear solitário pelo mundo encantado da sua poesia.
Do disco é de destacar os belos acompanhamentos do seu declamar.
A inspirada capa, com a imagem remete com muita propriedade ao primeiro poema do disco : “Plantação”.
Os versos escritos no interior da capa ótimos.
E os poemas de Adauto Suanes e Délcio Dani também dão seus recados.
Claudino de Lucca, participa do Bom dia Rio Grande
Voce deverá entrar no link: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=210870&channel=45
PARA VOTAR E ESCOLHER AS MISSÕES PARA SER SIMBOLO DO RIO GRANDE DO SUL.
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Missões: o patrimônio imaterial de um povo
Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo
Uma região de belezas históricas. Dizem até que por lá há uma energia característica e única. Estamos falando da região das Missões. Os antigos povoados são hoje patrimônios nacionais e também da humanidade. Mas o povo missioneiro revela um patrimônio muito maior do que isso.
Os resquícios das antigas reduções são o patrimônio material que temos aqui na região. Mas existe algo maior do que isso, que não se pode ver, nem mesmo tocar. É o nosso patrimônio imaterial. O orgulho de ser deste chão, a terra sem males. Um sentimento tão sólido quanto as paredes que estão aqui há mais de 300 anos. Um sentimento vivo dentro do coração de cada missioneiro.
_Meu nome é Claudino De Lucca, eu sou poeta, cantador e missioneiro, com muito orgulho. Quero aproveitar essa oportunidade pra falar o que é ser missioneiro. O que é pertencer a esta terra de história tão grande e tão bonita e tão dolorida que é os Sete Povos das Missões.
Este patrimônio material que nós temos é pequeno se comparado com outros países da América do Sul que viveram situações semelhantes às nossas. De qualquer maneira, tem que se destacar uma coisa: essa cultura, esse amor que nós temos, essa paixão em ser missioneiro, basta circular por aí pra gente ver rodovia com nome de Sepé Tiarajú, emissoras de rádio, jornais, lojas, postos de gasolina. Então, nós incorporamos essa história e vemos daqui pra frente cada vez aumentar mais.
Os outros gaúchos nos respeitam e nos admiram porque nós somos missioneiros. Nós temos um comportamento diferente, nós temos uma literatura, nós temos uma música e, posso até exagerar, mas o amor às nossas raízes, às nossas tradições, é mais forte.
Ser Gaúcho é muito mais do que ter nascido no Rio Grande. Ser Gaúcho é um estado de alma_finaliza.
Clique sobre a imagem e confira a matéria que foi ao ar no Bom Dia Rio Grande:
O humor de Claudino de Lucca se iniciou na infância quando ouvia os causos e piadas contadas na ferraria do seu pai, para depoisrecontá-las com estilo próprio. Quando eram mais picantes, mandavam-no buscar água, ele saía, mas ficava ouvindo pelas frestas, mesmo assim. No grupo escolar, aproveitava todas as oportunidades para fazer graça, com tiradas improvisadas, fazendo toda a classe cair na gargalhada. Isso lhe causava alguns transtornos, pois a professora mandava-o pra fora da sala o que obrigava seu pai a comparecer na escola para ouvir as broncas.
Nessa época eu fui morar na mesma vila do Claudino. Apaixonado por teatro, acho que revolucionei a comunidade. Eu já escrevia para teatro. Montei uma peça com “atores” locais e um dos personagens principais era um palhaço, Bibico. Depois de algumas leituras e ensaios, Claudino foi o escolhido para representá-lo. Foi um sucesso, de tal forma que algum tempo depois a dupla, já consagrada, foi convidada para a inauguração do Teatro Verzeri, em Santo Ângelo. Foi uma noite memorável, de tal forma que, após o encerramento do espetáculo, o público esperou a trupe para aplaudi-los na rua. Esse personagem, o Bibico, é lembrado até hoje, e Claudino assim é chamado ainda por algumas pessoas da época.
Quando, o Exército o levou para São Paulo, montou o Grupo Pampa e começou a apresentar o show Canto Gaúcho, o humor teve seu espaço garantido. Em praças públicas, em teatros e na televisão, era o ponto alto do espetáculo. Então vieram as canções de humor, normalmente com refrões engraçados, para os soldados cantarem juntos, nos acampamentos e, depois para o grande público. De volta para o Rio Grande, em 2008, montou o show Tempo de Quartel que estreou no Teatro Municipal Antonio Sepp com a presença de 750 pessoas. Foi um sucesso. Uma hora e meia, sozinho no palco, estilo “Stand-Up” cantando e contando causos engraçados da caserna. Seu amigo e admirador Coronel Sergio Sparta, parceiro na música que dá o nome ao show, o levou para uma turnê por diversas cidades do interior do Rio Grande do Sul.
Algumas músicas desse CD foram gravadas ao vivo durante as apresentações. Também fez músicas com outros parceiros. Silveira, Dega e Bossoroca, este, radialista e grande divulgador de todo o seu trabalho.
Já eram quase onze e meia. O sargento, sozinho, trazia a Companhia da seção de educação física. Fazia isso todos os dias, com entusiasmo e competência. Entraram no pátio marchando e cantando. Havia entre os soldados e o instrutor, uma relação muito maior que o respeito entre subordinados e superior. Respeitavam-se de igual para igual, sem nunca quebrar a disciplina. Ele era o exemplo da rapaziada. Na Companhia havia mais de vinte sargentos, além dos tenentes e do capitão. Mas era com ele que os soldados se identificavam, pediam conselhos e contavam coisas. Adorava fazer o seu trabalho e fazia com amor, sem nunca reclamar. Esforçado, não só na caserna, mas na vida civil. Cursava a universidade à noite e pertencia à comunidade do bairro onde morava.
Naquele dia estava apressado, pois teria de liberar os soldados para o banho e em seguida colocá-los outra vez em forma para levá-los para o rancho. O almoço era servido impreterivelmente ao meio dia. Com as recomendações rotineiras, iria gritar o “Fora de Forma!”, quando se aproximou um outro sargento, capacete na cabeça, e acompanhado de dois soldados armados. Era o Comandante da Guarda. A notícia caiu como uma bomba. Estava preso! A surpresa e o espanto misturaram-se à revolta. Os soldados o cercaram querendo saber o que estava acontecendo e se solidarizando com o amigo. Afinal, que crime havia cometido, para ser preso? Ele era exemplar, o que foi agora, perguntavam? Só estou cumprindo ordens, dizia o Comandante da Guarda. Mas ordem de quem e porquê? Ordem do Coronel Sub Comandante.
Foi falar com o capitão, comandante da companhia, querendo saber o que estava acontecendo e por que não, pedir apoio e solidariedade. Foi recebido com frieza, e decepcionado percebeu que o chefe não queria se envolver. Eram ordens de cima. Ao menos o senhor sabe por que estou sendo preso? Quis saber. A resposta deixou-o mais perplexo e revoltado: É alguma coisa sobre o teu cabelo, bigode ou costeleta. Não posso fazer nada. Eu te avisei. Agora é tarde.
Havia sido chamado a atenção para o comprimento das costeletas ou suíças como diziam alguns e que o Coronel não gostava. Reconhecia que não deu muita atenção e pelas inúmeras atividades acabou esquecendo, mas daí, ser recolhido à prisão, por causa disso? E a sua história? E a sua vida, sua carreira, sua dedicação? E... na frente dos soldados? Como um transgressor comum? Era revoltante. Pediu um tempo para trocar de roupa, vestir a farda, tomar um banho e falou: __Depois eu vou! Foi-lhe negado. A ordem era para ser recolhido imediatamente. Deveria servir de exemplo para os demais. O Comandante da Guarda, seu companheiro, estava constrangido, mas não havia argumento. Ordens são ordens!
A grade da cela era aberta e os soldados da guarda passavam a sua frente e ficavam olhando e cochichando. Havia uma cama de ferro com um travesseiro e uma manta, então, ele apanhou-a e improvisou uma espécie de cortina, para um pouco de privacidade. Mais tarde alguém trouxe uma bandeja com o almoço. A comida nem foi tocada.
Quando se ouviu o toque do clarim, para início do expediente da tarde, ele circulava pela cela, literalmente como um animal enjaulado. Não era pela humilhação ou outra sensação típica que poderia ocorrer numa situação dessas, era pura revolta. Pela primeira vez desde que iniciara a sua carreira nas armas, sentia algo semelhante. Era quase como uma dor física. A injustiça e o desrespeito o atingiam no que possuía de mais nobre e sagrado, que era a sua honra. O que diria em casa, como falaria para sua mulher? O seu pai iria sofrer muito, ele sabia, conhecia o orgulho do velho. Como ficaria frente aos soldados se até a pouco era citado como exemplo. Era uma referência de homem fardado. E agora?
Enquanto seus pensamentos corriam incontroláveis, infernizando sua alma, ouviu vozes do lado de fora e o ruído da chave. Era o Sub Comandante, o homem que o mandara prender.
__ Boa tarde, sargento.
__ Boa tarde, só se for para o senhor, coronel, pra mim é a pior tarde da minha vida.
__ Também não é tudo isso. Você não precisa fazer drama. Eu não precisava explicar nada, prendia e pronto, mas pela consideração que temos contigo é que estou aqui. O que aconteceu é rotina na caserna. Não cumpriu o regulamento, é punido. Só isso. Vai dizer que você nunca foi punido antes?
Estavam os dois de pé, frente a frente. A porta fora fechada por fora. Eram só dois homens se enfrentando. A raiva, sem dúvida, era o terceiro elemento vivo ali dentro.
__ Coronel, eu nunca fui punido. Nunca sofri sequer uma repreensão verbal. Nada, até agora. E afinal, o que é que aconteceu? Estão falando por aí que é por causa das minhas costeletas que estão muito compridas? É verdade, estou preso por causa disso?
__ Olha pra mim. Vê como é o meu cabelo. Não tenho bigode, nem essas costeletas de ladrão de cavalo. Detesto isso. Sei que é moda. Está todo o mundo usando, principalmente os artistas das novelas. Homens com aqueles cabelões...outros com bigodes mandarinescos e ainda outros, como você, com essas suíças horrorosas. Nós temos um regulamento e devemos obedecê-lo. Para o militar não existe moda de época, não existem anos sessenta, setenta, existe o regulamento. Você não pode usar calça boca de sino na sua farda, só por que é moda lá fora. O regulamento é pra ser cumprido, meu rapaz. É isso que aconteceu. Na reunião do Estado Maior de ontem à tarde, o assunto em pauta foi o cabelo do Silvio, o bigode do Tenente Furtado e as tuas costeletas. Resolvi tomá-lo como exemplo. Agora garanto que todo mundo vai cortar o cabelo e aparar os bigodes e costeletas. Aposto que vai funcionar. Ou esse quartel respeita o regulamento ou eu encho a cadeia com os cabeludos.
__ Essa parte está clara, só não entendo por que o senhor vai sujar a minha folha de alterações para dar exemplo aos demais. A minha história pregressa não é levada em conta em nenhum momento? O senhor nem me conhece, chegou há pouco. O que dizem os outros, os meus antigos comandantes, o pessoal do Estado Maior, da reunião de ontem? Todos concordaram com a minha prisão? Como ficará a minha moral perante a tropa? E os meus soldados?
__Espera aí, eu não preciso do concorde dos outros para tomar minhas decisões. Eu sou o SubComandante do Batalhão e se eu resolver prender um dos meus subordinados, ou um monte deles, eu prendo. Eu arco com as consequências dos meus atos. Você foi apanhado pra Cristo e se amanhã, outros não cumprirem a minha determinação, eu prendo todos.
__ E se eu falar com o Comandante?
__ E você acha que o Comandante vai ficar do lado de quem? Afinal serão só quatro dias e esse tempo passa depressa. Será só uma manchinha nas suas alterações, como diz você.
__ Não é pelo tempo, é pelo motivo. Se eu tiver de ser punido, terá que ser por alguma coisa que o meu filho, um dia, ao ler as alterações do pai, não ria do ridículo da situação. Não sinta vergonha da instituição que determinou a escolha da profissão do pai e lhe deu o sustento. Ele sempre irá saber do meu orgulho e com que honra, eu sempre portei o meu uniforme, cumpri as minhas missões e fiz o meu trabalho. Isso eu juro para o senhor. Não me prenda por uma coisa tão menor. Não queira me transformar em um vagabundo qualquer. Não serei o bode expiatório para a sua campanha de tornar-se herói do quartel. Eu lhe peço. Coronel se tiver e quiser me prender terá que ser por um motivo bem superior a esse. Não irei aceitar ser preso por uma coisa que em segundos poderá ser resolvida. É só pegar uma gilete e raspar as costeletas, viverei muito bem sem elas.
__ Vê lá, como fala comigo! Você pode ser até considerado o melhor sargento do batalhão, mas pra mim, você é só mais um. E além de tudo não sabia que era metido a politizado e arrogante. Quem lhe deu liberdade para falar comigo nesse tom? Não lhe ponho na cadeia, afinal, você já está preso, mas posso aumentar os dias da sua prisão por falta de respeito. E você está preso por estar com as costeletas compridas! Esse é o motivo, se o seu filho sentirá vergonha ou não, não me interessa, isso é problema seu. Ponto final!
Foram segundos incontáveis de silêncio e mágoas. O que passou pela sua mente, o turbilhão de idéias e o inferno incontrolável de músculos se enrijecendo, os olhos embaçadose a visão turva de que a sua frente não estava mais o chefe, mas um inimigo em potencial. Nunca ninguém soube, na verdade, nem ele. Só lembra de haver pensado: se tiver que ser preso, será por um motivo maior. E do punho fechado, do braço forte rompendo o ar e com a força dos desesperados atingindo a boca do Coronel.
O Coronel ao receber o soco deu uns três passos para trás, abriu os braços como um estranho crucifixo e bateu com as costas na grade da porta. Não emitiu um grito, foi um gemido gutural, rouco e inaudível. Deslizou lentamente e caiu sentado com a cabeça no peito. O sangue jorrou forte da boca dilacerada.
__ Comandante da Guarda, abra a porta!
A porta do xadrez abria pra dentro, então teve de arrastar o Coronel para facilitar a passagem do outro Sargento, que solicitou ajuda do pessoal da guarda para socorrer o ferido.
__Meu Deus, mas o que é que aconteceu? O homem está desmaiado.
__Depois o Coronel te conta! Leva ele pra enfermaria!
Foi uma correria. Dentro da cela tudo ficou quieto. Lá fora, o enfermeiro constatando que era preciso dar pontos, providenciou a ambulância e o Coronel foi levado para um hospital na cidade. Passadas algumas horas, a porta foi aberta e ele foi liberado. Ordens do Sub Comandante! Ninguém nunca soube, na verdade, o que aconteceu. Não houve partes, nem inquéritos, nem prisões, nada! O Coronel entrou em licença para tratamento de saúde e sumiu do quartel. Só os boatos corriam soltos. Logo depois, como já tinha tempo necessário, pediu transferência para a reserva. Quando alguém perguntava ao Sargento o que aconteceu dentro da cela, naquele dia, ele só dizia: Perguntem ao Coronel. O Coronel, quando alguém queria saber o que houve, só dizia:
Foi depois da mudança, numa tarde em que, na garagem, separávamos as últimas coisas, que meu neto, ao abrir uma caixa, se encantou com a quantidade de medalhas e troféus envelhecidos que encontrou. Quis saber o que era aquilo e então lhe expliquei que nos tempos de mocidade havia sido um atleta e as ganhara ao longo das competições que havia participado. Perguntou se eu lembrava de todas e resolveu fazer um teste. Colocou tudo numa mesa e tentou ordená-las pelas datas impressas que ia lendo. Uma, porém, lhe chamou a atenção. Era uma medalha muito antiga, não havia inscrição alguma e possuía um passador de pano, roto e desbotado. Expliquei-lhe que aquele era uma medalha histórica e que havia sido conseguida por um ato de bravura na 2ª Grande Guerra.
__ Você esteve na guerra, vô?__ Eu não, mas o meu avô esteve. Era o seu trisavô, pai da minha mãe, sua bisa. Já faz muito tempo e ele me deu essa medalha quando eu era menino, mais ou menos, da sua idade.